Anderson Luis Lorenzini
Por Anderson Luis Lorenzini em 20 de Abril de 2022

Indústrias têxteis no Brasil: perspectivas para 2022

O ano de 2020 foi de incertezas em praticamente todos os setores devido à pandemia, mas as indústrias têxteis no Brasil não podem reclamar. Afinal, já no ano seguinte, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), só entre janeiro e maio o crescimento foi de 36% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Os números mostram uma resiliência baseada em uma nova mentalidade e a necessidade de adaptação às novas tendências do mercado. Ainda segundo a Abit, a receita do setor chegou a cerca de R$ 194 bilhões. Isso significa 20% a mais do que em 2020 - e quase 370% a mais de empregos, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

Só que, se 2021 mostrou uma recuperação saudável com 11,7% de crescimento, o cenário é outro para 2022. A expectativa da Abit é de um aumento muito mais modesto para as indústrias têxteis no Brasil, em torno de 1,2%. Afinal, são vários desafios pela frente, mas os custos das empresas é o maior deles.

O obstáculo é justamente manter o crescimento em meio a um cenário macroeconômico tão complicado. Para os especialistas, a saída é ancorar a produção em três pilares estratégicos.   Mudança de pensamento, mudança de valores e investimento nas soluções tecnológicas estão totalmente identificados com o novo mercado.

 

Principais desafios das indústrias têxteis no Brasil para 2022

De acordo com a Abit, houve um crescimento de 8,3% na manufatura têxtil e de 23% no setor de vestuário em 2021. Já a produção de insumos têxteis aumentou 12,1% e, a das confecções, 15,1%. Mas ainda assim não alcançaram os resultados do último ano antes da pandemia, 2019.

Para 2022 o cenário é diferente. A demanda do setor começou a cair em dezembro de 2021 por causa da infração em alta desenfreada. A Abit destaca o aumento do algodão, uma das principais matérias primas do setor, que já subiu 10% apenas nos primeiros meses do ano. No total de seis meses, esse aumento já chegou a 30%.

Por outro lado, as indústrias têxteis no Brasil, assim como todas as outras, têm um custo tributário de 40%. De acordo com o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem de Minas Gerais (SIFT-MG), isso faz com que haja um sobrepreço de 67,7% sobre o preço normal (40% de 60%).

A volta da inflação desaqueceu o mercado, reduzindo a capacidade de consumo da sociedade. E, ao mesmo tempo, o aumento da taxa de juros torna a venda a prazo muito mais cara, servindo de contraponto ao consumo.

 

O ano deve ser de mudança de paradigmas

Outro obstáculo apontado é a postergação de reformas estruturais importantes para os negócios, como a administrativa e a tributária. De acordo com os especialistas, essas dificuldades só serão superadas com a mudança de alguns paradigmas.

Para Robson Wanka, por exemplo, as indústrias têxteis no Brasil ainda operam como se estivessem na Segunda Revolução Industrial. O engenheiro industrial foi o responsável por implantar a primeira Planta de Indústria 4.0 das Américas no Setor de Confecção, em 2017.

Assim como ele, os especialistas do setor alertam que é preciso analisar as tendências do mercado, mudar a forma de pensar e apostar em inovações para impulsionar resultados positivos.

Essa revisão dos modelos de produção ganha ainda mais importância quanto se pensa na competitividade internacional. Afinal, mesmo com o complicado cenário econômico em ano eleitoral, há várias empresas e indústrias têxteis no Brasil retomando o crescimento. Com destaque para as que estão se beneficiando das exportações impulsionadas pela alta do dólar. 

Assim, o foco em inovação é ainda mais relevante para gerar competitividade no mercado interno e externo.

 

Principais tendências do setor para esse ano

A questão é que a pandemia mudou os hábitos de consumo e isso impacta diretamente a produção das indústrias têxteis no Brasil. O consumidor quer mais sustentabilidade e transparência nos processos, agilidade nas entregas e qualidade nas matérias-primas que não agridam o meio-ambiente.

Por isso, a tendência para 2022 é tudo que traga modernidade com responsabilidade social. O mercado se fecha cada vez mais contra o desperdício de tempo e de materiais, contra os erros humanos que causam retrabalho e a lentidão dos processos manuais.

A automação dos processos e o reconhecimento da importância da indústria 4.0 são fundamentais para o crescimento das indústrias têxteis no Brasil.

Conheça algumas das principais tendências para o setor.

 

Indústria 4.0

Para os especialistas, as indústrias têxteis no Brasil ainda têm muito o que avançar em termos de inovação. A indústria 4.0 ou Quarta Revolução Industrial engloba um sistema de tecnologias de ponta. Novos modelos de produção e de negócios são gerados pela integração de ferramentas como a internet das coisas, robótica, inteligência artificial, realidade aumentada e cloud computing.

Assim, a Indústria 4.0 impacta significativamente a produtividade, otimizando a eficiência do uso de recursos e o desenvolvimento de produtos em larga escala. Além disso, integra as indústrias têxteis no Brasil às cadeias globais de valor.

 

Sustentabilidade

As indústrias têxteis no Brasil são responsáveis por grande parte do impacto ambiental. A produção de 1Kg de tecido acarreta o uso de 150l de água, por exemplo, além da necessidade de tratamento adequado da água utilizada quando do seu retorno à natureza.

É preciso criar ações sustentáveis que minimizem o impacto não só do consumo da água, mas melhorem o tratamento, reduzam emissão de gases e o despejo de químicas, evite o desperdício de matérias primas e tornem toda a cadeia produtiva mais saudável para o meio ambiente e os trabalhadores, além de ações de responsabilidade social.

Upcycling, economia circular e aproveitamento da mão de obra local são algumas das tendências sustentáveis para 2022.

 

Experiência do consumidor

Um todos os setores o customer experience ou experiência do consumidor é uma tendência global em todos os setores. As indústrias têxteis no Brasil também precisam se preocupar com o consumidor final, que busca preços cada vez mais competitivos sem abrir mão da qualidade dos produtos.

É preciso criar estratégias que influenciam na decisão de compra, criando um relacionamento com os clientes desde a base da produção, gerando valor além do preço.

Por outro lado, o consumidor está cada vez mais digital. Por isso é importante aumentar a presença online das indústrias têxteis no Brasil oferecendo soluções e múltiplos canais de contato. É importante que os clientes encontrem o que precisam e compartilhem suas experiências com a indústria.

 

Vestuário e produtos mais inteligentes

Tecidos de alta performance, acompanhados de componentes eletrônicos, são outra grande tendência do setor. A ideia é oferecer novos materiais para as mais diversas áreas.

Um bom exemplo é o vestuário, com roupas que possam monitorar o ritmo corporal ou criar barreiras bacteriológicas. São os chamados protech (proteção para o corpo) e clothtech (componentes funcionais para calçados e vestuário).

Mas a participação também pode se estender ao geotech (geotêxteis e engenharia civil), hometech (produtos para casa) e buildtech (construção e arquitetura), entre outros.

 

De olho no futuro para entender o presente

O ano é complicado em termos econômicos para o país, com inflação alta, baixo poder aquisitivo da sociedade. Há ainda todas as incertezas políticas típicas de um ano eleitoral. Com isso, a Abit prevê uma forte desaceleração de vendas, de 14,5% em 2021 para 1% em 2022.

A produção também deve cair devido aos altos custos. E ainda não deve ser esse ano que o setor conseguirá retomar os níveis pré-pandemia. Por isso, segundo a associação, o grande desafio é justamente conquistar corações, mentes e bolsos do consumidor.

E a melhor forma de conseguir isso é alinhando estratégias com as novas tendências do mercado, mantendo o foco na inovação. É preciso pensar no que o futuro reserva, criar novos modelos de produção e negócios que evitem desperdícios, garantam a sustentabilidade e aumentem a competitividade da empresa.

Na avaliação da Abit, 2022 promete ser “difícil, ruidoso e polêmico”. Mas as indústrias têxteis no Brasil podem mais uma vez mostrar sua resiliência. Para isso, investir em sintonia com o público e na tecnologia para fortalecer suas marcas é fundamental.

 

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Publicado por Anderson Luis Lorenzini 20 de Abril de 2022
Anderson Luis Lorenzini

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